A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu uma estudante de direito, moradora de Tangará da Serra, durante a Operação Véu, de deflagrada nesta quarta-feira (4). Ela é acusada de um esquema de “sextorsão” em série, tendo como vítimas, pelo menos 15 pessoas, em diferentes estados da federação. O nome dela não foi revelado.
"Em algumas situações, diante da recusa do pagamento, o conteúdo foi efetivamente divulgado, ampliando o dano psicológico".
Além da prisão da mulher, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo contra um morador de Alta Floresta, que se apresentava como “hacker” e “designer gráfico”.
As ordens judiciais foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
fonte: https://www.midianews.com.br/policia/estudante-e-presa-acusada-de-montar-dossie-sexual-contra-casais/515263
Entre as vítimas, estão homens e mulheres, em especial casais liberais, que eram abordadas por meio de mensagens e extorquidas após serem submetidas a intensa pressão psicológica para não terem informações íntimas divulgadas.
Para praticar o crime, a investigada coletava imagens e referências em sites de relacionamento e, a partir disso, montava um dossiê em PDF, minuciosamente editado, reunindo fotos íntimas ao lado de dados pessoais, como perfis em redes sociais e locais de trabalho. Em seguida, exigia pagamento como condição para não divulgar o material.
Durante as diligências, foi constatado que a investigada mantinha, em armazenamento, registros e materiais vinculados às extorsões, incluindo prints de conversas relativas a diversas abordagens e mensagens de envio de conteúdo sensível das vítimas a terceiros.
Os fatos caracterizam a prática dos crimes de extorsão e de divulgação de cena de conteúdo íntimo sem consentimento.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Antenor Pimentel, a gravidade do caso não se limitou às ameaças de exposição.
“Em algumas situações, diante da recusa do pagamento, o conteúdo foi efetivamente divulgado, ampliando o dano psicológico e o temor de repercussões familiares, sociais e profissionais”, disse o delegado.
Diante do conjunto probatório, o delegado representou pelas ordens judiciais, que foram deferidas pela Justiça com a finalidade de interromper a continuidade delitiva e resguardar a ordem pública.
Já quanto ao “hacker”, as investigações apontaram que ele possui perfil compatível com a obtenção de informações pessoais e com a produção e diagramação do material utilizado para constranger e extorquir as vítimas.
O delegado orienta à população para que tenha cautela na exposição em sites de relacionamento, bem como no compartilhamento de informações pessoais e fotos por aplicativos de mensagens.
“O ambiente virtual pode ser explorado por pessoas mal-intencionadas que se aproveitam desse tipo de conteúdo para praticar crimes”, disse o delegado.
Nome da operação
Véu remete ao véu como símbolo de resguardo e proteção da intimidade e da vida privada das vítimas.